terça-feira, 14 de junho de 2016

Antonio Possidonio Sampaio (1931-2016)







Faleceu, no último dia 03 de junho, aos 84 anos de idade, Antonio Possidonio Sampaio, um dos fundadores do Fórum Permanente de Debates Culturais do Grande ABC, entusiasta colaborador e integrante do Grupo Gestor.




Aqui, deixarmos uma breve biografia do amigo, patenteamos nosso preito de saudade, com a singela homenagem de seus pares.




ANTONIO POSSIDONIO SAMPAIO, nasceu 29.10.1931, em Morro Preto,  que até 1958 pertencia ao Município de Sta. Terezinha, quando passou a pertencer a Iaçu, no Estado da Bahia. Mudou-se para S. Paulo em 1949, onde concluiu os estudos secundários e graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, em 1964.

São Paulo em frente da Casa do Estudante em 1964: da esquerda para a direita: 
Alcides Anchieta de Freitas, Tobias Marcello de Azeredo Passos,
 Antonio Possidonio Sampaio, Milton Aliende Oliveira e  Francisco Pereira Novaes


Jornalista profissional, trabalhou como repórter nos jornais Gazeta Mercantil e Notícias Populares até 1964. Após essa data, colaborou ativamente em jornais de entidades profissionais como Tribuna Metalúrgica, O Escritor, bem como em suplementos literários. Desde a época de estudante, participou de atividades culturais.



Começou a exercer a advocacia na região do Grande ABC, em 1965, onde militou no setor do Direito Social, dedicando-se especialmente à infortunística. É bastante conhecida a sua luta contra as falhas da legislação acidentária e estudos dentro do campo do direito trabalhista. Foi assessor jurídico do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema por três décadas.

Em 1989 passou a morar em Santo André, depois de viver 40 anos em São Paulo.

Quer seja como Advogado, jornalista ou escritor, Antonio Possidonio Sampaio deixou sempre sua marca, a marca da luta em prol da liberdade.

Antonio Possidonio Sampaio, Sofia e Antonio Lopes Sampaio

Publicou os livros:

A Arte da Paquera, Ibrex, SP – 1970
Este livro foi considerado pelo Jornal do Brasil um dos principais livros de literatura de humor publicados na época.

Galeria da Solidão,  Ibrex, SP – 1972 
Romance urbano, paulistano, sobre o drama do desempregado com mais de 35 anos

Vendedores de Ilusão, Ibrex, SP – 1973
Romance em que o personagem principal é um escritor novo e sua luta pra vencer o bloqueio editorial e, depois, a censura.

Vamos Empinar Papagaio, Ibrex, SP – 1974
Romance-reportagem sobre a crise do Direito e da Justiça.

Sim Sinhor, Inhor Sim, Pois Não..., Vertente, SP –1977,  2a.edição, Alpharrabio Edições, SP, 1997
Primeiro Prêmio do I Concurso Escrita de Literatura. A luta de um intelectual em prol da liberdade é o tema deste romance.

A Capital do Automóvel - Na Voz dos Operários, Edições Populares, SP – 1979, Edições Populares, SP – 1979. O resultado da longa convivência do autor com os trabalhadores

Lula e a Greve dos Peões, Escrita, SP – 1982
Romance-reportagem, onde os personagens (reais) (re)vivem os episódios da greve dos metalúrgicos de S.Bernardo do Campo em 1980.

Manhatan do Terceiro Mundo, Ibrasa, SP, 1993
Romance inédito que relata as angústias sócio-psico-culturais dos que viveram em tempos de ditadura militar.

ABC Cotidiano - Cotidiário, Alpharrabio Edições, SP, 1993.
      Registros diários que abrangem todo o ano de 1992.  Este livro marca uma nova fase literária do escritor e é também uma declaração de amor a Santo André, que o autor elegeu como sua morada definitiva.

Andanças na Contramão - Reportagem Sentimental, crônicas, Alpharrabio Edições, 1996
Nesta plaquete, que junto com 5 outros volumes de escritores diferentes compõe uma caixa com a coleção Prosas, o autor revela-se um cronista atento ao cotidiano de sua cidade.

Em Busca dos Companheiros, romance, Alpharrabio Edições, SP, 1999
Neste romance, o escritor dá continuidade ao seu projeto de registrar o imaginário das lutas operárias na região do Grande ABC (SP), iniciado em 1979 com a publicação de A Capital do Automóvel, seguindo por Lula e a Greve dos Peões (1982).

ABC no Fim do Milênio, diário, Alpharrabio Edições, SP, coleção Imaginário, 2000 
Aqui, o imaginário do Grande ABC durante 1999 é registrado pela agudeza da observação do escritor atento ao seu tempo que estendeu o mesmo desafio a outros escritores, ou seja, o de registrar o último ano do milênio. O resultado desse trabalho foi publicado em 5 volumes pela Alpharrabio Edições, na Coleção Imaginário.

-  No ABC dos Peões (edição conjunta de A Capital do Automóvel e Lula e a Greve dos Peões), Alpharrabio Edições, SP, 2005

- Andanças com Salvador Bahia, diário, Alpharrabio Edições, SP, 2006
Salvador Bahia surgiu na ficção de APS em 1979 e, desde então, tem cruzado as diversas obras do autor, como o elo que, ao unir autor e personagem, confunde os limites entre ficção e realidade sobre os quais nosso "escritor-repórter" constrói sua obra.

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