quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

DESMONTE DA UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO


Recebemos e, pela gravidade do fato que envolve não só este caso de desmonte da Universidade Metodista de São Paulo, mas também todo o sistema educacional brasileiro, divulgamos os documentos abaixo, com nossa adesão e manifestação de repúdio


CARTA ABERTA À SOCIEDADE DOS ALUNOS DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UMESP SOBRE O DESMONTE DA UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO


A Universidade Metodista de São Paulo, instituição de ensino entre as mais respeitadas no país, demitiu, a partir de 7 de dezembro, mais de 60 professores em nome do que denomina “saneamento” necessário. Os cortes ocorreram sem qualquer reunião prévia – e mesmo posterior -  com os estudantes e sem um comunicado oficial para informar os motivos e de que forma a comunidade acadêmica seria afetada por tais medidas.

No Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social (PósCom), os cortes foram responsáveis pelo desmonte de um programa prestes a completar 40 anos de vida e referência nacional e internacional em nossa área. O corpo docente contava com 11 professores. Destes, 5 foram demitidos e 3 optaram por sair por conta do desmantelamento de um projeto que ajudaram a criar. Com essas saídas, o programa ficou com apenas 3 docentes.

Mesmo que a gestão atual da Umesp contrate novos professores, consideramos impossível a reconstrução do PósCom dentro dos padrões de excelência educacional e de pesquisa praticados antes das demissões. Um novo Programa poderá ser até criado, mas será completamente diferente daquele reconhecido nos mercados nacional e internacional e que foi escolhido pelos atuais alunos e recém aprovados no processo seletivo.

Se a Umesp sinaliza tratar um projeto de educação como um mero produto, cabe ressaltar que não foi este o “produto” escolhido por nós discentes. Escolhemos um Programa de excelência construído e formado pelos docentes e pesquisadores: Elizabeth Gonçalves, Cicília Peruzzo, Daniel Galindo, Herom Vargas, José Faro, José Marques de Melo, Marli dos Santos, Magali Cunha, Paulo Rogério, Sebastião Squirra e Wilson Bueno. Um corpo docente, ressaltamos, reconhecido no mercado por sua trajetória, produção acadêmica, dedicação a nós pesquisadores no que diz respeito tanto à condução das respectivas disciplinas como no processo de orientação. Este foi o corpo docente que nos atraiu para a Universidade Metodista de São Paulo e pelo qual optamos.

Nosso acesso a esta respeitada Universidade se deu por meio de muito esforço para vencer o processo seletivo. Nós a escolhemos dentre outras instituições igualmente respeitadas em razão de um projeto de educação e do corpo docente responsável por ele - o Programa que nos foi oferecido, que queremos, fizemos por merecer, e, vale ressaltar, que pagamos por ele.

Muitos de nós esperamos pela chance de contar com a disponibilidade de uma vaga para a orientação com esses docentes, conhecidos pelo alto padrão na pesquisa, no ensino e na extensão, renomados dentro e fora do Brasil. Entendemos que uma instituição tem o direito de demitir seus profissionais. Mas, neste caso, não se tratou de uma única substituição, mas de um Programa inteiramente desmontado – de forma arbitrária, não negociada, autoritária, imposta e sem passar pelos Órgãos Colegiados.

Em mais uma prova de desconsideração da gestão atual da Umesp, esta abriu um processo seletivo para novos alunos se inscreverem no PósCom 15 dias antes da primeira demissão. Além disso, iniciaram o período de matrícula para os alunos que já faziam parte do Programa, disponibilizando especificamente para as disciplinas oferecidas os professores que seriam demitidos poucos dias depois, como comprovam os atestados de matrícula de muitos alunos.  Má fé? No mínimo!

Com o desmonte do PósCom, dos 98 alunos atuais, 77 estão sem orientador nesse momento e 20 vão defender suas dissertações e teses até fevereiro próximo, sem contarem com qualquer tipo de orientação e sem saberem quem irá compor suas bancas. A gestão atual da Umesp alega que tal situação neste momento não compromete o trabalho uma vez que se trata de um período de férias. Nós, porém, sempre contamos com a participação efetiva dos professores – sempre envolvidos e prestando orientação a seus alunos independentemente da época do ano.
Não aceitamos isso como desculpa!

Quando fazemos um mestrado ou um doutorado, escolhemos um orientador de forma meticulosa e planejada, baseando-nos em sua trajetória. Com ele, estabelecemos desafios profissionais e teórico-metodológicos, mas, principalmente, criamos laços afetivos e construímos parcerias que se refletem na qualidade da pesquisa empreendida. Mais do que uma relação meramente pedagógica, trata-se de um compromisso assumido por ambas as partes e que resulta em dissertações e teses que ajudam a sistematizar e a consolidar o conhecimento científico de nossa área.

A demissão de nossos orientadores pode levar a rupturas de nossos projetos e a influenciar negativamente o processo de construção e de entrega dos trabalhos. Além disso, as demissões no PósCom podem eliminar os grupos de pesquisa que muitos de nós alunos fazíamos parte e que geravam credibilidade e renome à Instituição.

Desde que o desmonte foi iniciado, a gestão atual da Umesp não dialoga com os alunos de forma coletiva. Nas vezes em que ocorreram encontros não foi dado qualquer esclarecimento e, a cada questionamento, as respostas foram evasivas e incongruentes.  Somos um coletivo unido. Não nos imaginavam tão fortes. Conquistamos ampla repercussão na mídia. Estamos mobilizados. E vamos lutar pelos nossos direitos de todos as formas possíveis.


São Bernardo do Campo, 22 de dezembro de 2017
Grupo de estudantes do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo



Ao Conselho de Administração da UMESP
Dos Conselheiros do Conselho Nacional de Educação


Preocupam-nos os acontecimentos expostos na imprensa nacional acerca da expressiva demissão de professores do corpo docente da Universidade Metodista (UMESP), campus de São Bernardo/SP. Há informações sobre demissões após legítimas manifestações de insatisfação de docentes por conta de atrasos nos vencimentos, bem como por declaração contrária a fechamentos de cursos e outros prejuízos pedagógicos e educacionais para a Universidade e para o corpo discente, sobretudo na pós-graduação. Sabe-se que a Escola de Comunicação, Educação e Humanidades, seus cursos de graduação e pós-graduação e seus docentes inspiram preocupação haja vista a sua situação dramática.
A Constituição Federal de 1988, Art. 5o, expressamente regula o direito e a liberdade de expressão (IV), de reunião (XVI), e de associação (XVII), assim como o Art. 207 instituiu no país a "autonomia universitária", visando justamente a capacidade de autodeterminação e autonormação, tendo em vista as finalidades gerais da Universidade, qual seja, a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.

A legítima manifestação dos docentes contra a "redução de carga horária" e contra o "fim da autonomia universitária" é amparada pela legislação, e constitui indício da qualidade do corpo docente da UMESP e do seu compromisso com a qualidade do ensino e os serviços prestados pela Universidade, que tantas contribuições já trouxe ao país.

E causa ainda perplexidade a demissão do Prof. Luiz Roberto Alves, tendo em vista a sua extensa prestação de elevadíssimos serviços à UMESP e ao país, tendo ocupado cargos de relevância local, regional e nacional, a exemplo da Secretaria de Educação de São Bernardo e do Conselho Nacional de Educação, onde foi Presidente da Câmara de Educação Básica. Intelectual brilhante, pesquisador dedicado e cidadão íntegro, devotado à causa da educação nacional e seus desdobramentos para os destinos do país, Luiz Roberto Alves é merecedor de estima e respeito pelos que consideram a educação elemento chave na constituição de um país fraterno e solidário.

Em pese a gravidade do cenário econômico no país, a educação deve ser vista como a solução para os nossos problemas. E sem educadores do porte de Luís Roberto Alves, essa tarefa fica ainda mais distante e difícil de ser plenamente equacionada.

Pelos motivos expostos, solicitamos revisão das demissões, e conclamamos a UMESP a dialogar com os docentes e alunos na busca por soluções que não signifiquem abrir mão do patrimônio arduamente construído ao longo de décadas. Perde a UMESP, perdem seus alunos, perde a educação, perde o Brasil.



Arthur Roquete de Macedo
Francisco César de Sá Barreto
Gilberto Gonçalves Garcia
Ivan Cláudio Pereira Siqueira
Joaquim José Soares Neto
José Francisco Soares
José Loureiro Lopes
Malvina Tania Tuttman
Márcia Angela da Silva Aguiar
Nilma Santos Fontanive




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